Na adolescência a cólica é pior?

A cólica é um sintoma comum a toda mulher em idade reprodutiva — o período em que a mulher pode gerar uma vida, aproximadamente dos 12 aos 45 anos. Tradicionalmente, a cólica começa a aparecer de seis a 12 meses após a menarca, que é quando costumam iniciar os ciclos ovulatórios.¹ A cólica faz parte de um processo totalmente natural ao corpo feminino, que é a descamação e a posterior eliminação do endométrio. Contudo, a dismenorreia primária — como é chamada cólica sem etiologia associada — é influenciada por diversos fatores individuais, inclusive pela idade da mulher.

Vamos recapitular o processo! O endométrio é uma camada espessa que se forma todo mês no interior do útero para receber o embrião. Só que, se a mulher não engravida, esta camada é eliminada. Para que o endométrio seja expulso na menstruação, o organismo produz uma substância chamada prostaglandina. As prostaglandinas fazem o útero contrair, a fim de que o endométrio se solte da parede uterina e saia no fluxo menstrual. Estas contrações, que são percebidas no baixo-ventre, são as famosas cólicas.

Na adolescência, as dores costumam aparecer de forma mais intensa se comparadas com a cólica em mulheres mais velhas. Há dois fatores agravantes da cólica em meninas jovens: o fluxo menstrual, que é maior, e o tamanho do útero, que é menor. Em adolescentes, o útero ainda é pequeno e o orifício pelo qual sai a menstruação é mais fechado. Então, para que o endométrio consiga sair pelo colo do útero tão estreito, as prostaglandinas intensificam as contrações. E como o útero ainda é pequeno, as prostaglandinas que estão concentradas ali se tornam excessivas. Em grande quantidade e sem ter por onde escapar, a prostaglandina acaba causando dores mais fortes. Entretanto, com a idade, o útero cresce e a prostaglandina liberada tem espaço para se espalhar.²

Antigamente, quando as meninas reclamavam de cólica, era comum se ouvir: quando casar, passa! Na verdade, a cólica passava não por causa do casamento, mas porque a mulher tinha filhos. Aí o colo do útero ficava mais aberto, e a saída do sangue e da prostaglandina se dava mais facilmente, sem muitas contrações. Por isso, mulheres que já tiveram filhos sofrem menos com dismenorreia primária.²

A cólica é um sintoma comum a toda mulher em idade reprodutiva — o período em que a mulher pode gerar uma vida, aproximadamente dos 12 aos 45 anos.

Referência:

1)  Motta EV, Salomão AJ, Ramos LO. Dismenorreia - Como diagnosticar e tratar. Rev Bras Med. 2000; 57(5).